21 Novembro 2006

Blue Lounge - Ano II

Fez a semana passada um ano que interrompi a minha colaboração no Blasfémias e decidi criar o Blue Lounge. Embora o primeiro post apenas tenha vindo ao mundo a 24 de Novembro de 2005, o Blue Lounge foi "concebido" - usando uma terminologia muito em voga por estes dias - três madrugadas antes, como aliás o André Alves e o Tiago Mendes se aperceberam (fiquei nessa altura com a nítida sensação que ambos fariam parte do MI6).
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O Blue Lounge nasceu para ser um blogue individual onde pudesse imprimir um estilo pessoal, num ambiente sereno, descontraído e low-profile. Procurei fugir das polémicas, picardias e ruído que por vezes se gera pelos blogues, num exercício de contenção que não me é característico, mas que tinha de cultivar. Julgo que, salvo algumas situações pontuais (das quais me arrependo), consegui manter a linha e o rumo inicialmente traçados. O Blue Lounge foi-se desenhando como um espaço multifacetado, destinado aos que apreciam uma visão liberal mais pensada e, por vezes, reconheço, um pouco densa e extensa - sejam ou não adeptos do liberalismo - e aos que, simplesmente, o visitam à procura de imagens.
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O Blue Lounge tem hoje um papel secundário, com poucos visitantes, afastado do mainstream; ainda assim, aqui acorre, diariamente, um paciente e interessado grupo de amigos, cujo feedback e simpatia são fonte de motivação e recompensa. Aos cerca de cinquenta mil visitantes - quase sempre os mesmos - o meu obrigado pela vossa fidelidade!
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Este blogue não acaba aqui. Umas férias no Oriente, em Dezembro (sem roaming nem internet), novas responsabilidades profissionais que me vão obrigar a uma ainda maior desmultiplicação geográfica, e alguns projectos dispersos que necessito concretizar entretanto, impõem uma curta pausa. Regresso em breve, a este mesmo local que, até lá, "entra em obras". Rodrigo Adão da Fonseca

20 Novembro 2006

Em destaque: 31 da Armada

O 31 da Armada ainda não está em funcionamento, mas a apresentação é muito divertida. Em destaque esta semana, e até ao dia 27 de Novembro. Rodrigo Adão da Fonseca

What Causes Wealth?

Some people walk outside a building like this and look around the city and ask, ‘What causes poverty?’ That is the wrong question. *Nothing* causes poverty. Poverty is the natural state of man in isolation. The question to ask is: ‘What causes wealth?’ The answer is: ‘Free-market capitalism.’ [Via Liberty Belles] Rodrigo Adão da Fonseca

19 Novembro 2006

No país das honras e das comendas

Também não se percebe a atitude da Universidade solicitada. Cabia-lhe a delicadeza de encontrar uma solução que dignificasse todas as partes. A atribuição do doutoramento Honoris Causa, por exemplo, com o seu cerimonial e a oração de sapiência que permite à personalidade distinguida poder dar o seu contributo para o avanço dos saberes universitários, seria natural nessas circunstâncias. Medeiros Ferreira, nos Bichos Carpinteiros
Nada dignifica mais o homem do que o trabalho dedicado e sério. Muito menos as honrarias e as menções Honoris Causa. Como é que se escreve uma coisa destas, é algo que me transcende. Rodrigo Adão da Fonseca

17 Novembro 2006

Anti-americanismo

E. Ruscha, "Flag"
Quem critica Bush ou certas atitudes da Administração americana não é, certamente, anti-americano. Agora, pergunto-me com frequência: que traços da identidade americana, que valores da sua democracia e do seu povo merecem o apreço da esquerda portuguesa, que com frequência dá a entender que não é anti-americana? Em que é que os EUA os atrai, que referências, personalidades, partidos políticos e identidades lhes merecem elogios? Qual é, a seus olhos, a América Boa? Rodrigo Adão da Fonseca

Destaques Dia D

Hoje na Dia D, merecem destaque, “A economia do pecado” do LA-C; e “Mitos económicos”, do Bruno Gonçalves. Rodrigo Adão da Fonseca

16 Novembro 2006

Por um novo califado na Península Ibérica

Em pleno século XXI, o Daniel Oliveira quer impedir o avanço da civilização. Assim, porque no passado a Igreja Católica terá praticado actos de grande tortura e violência; porque alguns países ocidentais terão sido horripilantes colonizadores; apesar de termos já ultrapassado e enterrado o passado (que não é imputável às novas gerações); feito por centenas de vezes o mea culpa; ainda assim, estamos limitados nas nossas críticas e censuras às aberrações que subsistem no novo milénio. Este post - e algumas das tiradas na caixa de comentários - são, no mínimo, irreais. Ler também:Veu islâmico e multiculturalismo e Blue Photo: Shirin Neshat (II). Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Lounge recomenda: Sócrates na Esquerda

"Na falta de uma teoria e de um programa, a esquerda acabou por se transformar num sentimento" Vasco Pulido Valente in Público (Sábado, 11.11.2006)
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(junta-se o artigo na íntegra)
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Última Página * Sócrates na esquerda * Público, Sábado, 11 de Novembro de 2006 * Vasco Pulido Valente * A esquerda acabou por se transformar num sentimento, que Sócrates não inspira e que ele próprio com certeza não partilha. O Diário de Notícias resolveu fazer duas perguntas a uma dúzia de personalidades de esquerda. Primeira: “O que é a esquerda?” Segunda: “É Sócrates de esquerda?” O resultado merece um comentário. Com pequenas variações de ênfase e de estilo, a esquerda acredita no eterno aperfeiçoamento do homem, no inconformismo, na mudança, na liberdade e na justiça, e também, hoje em dia, na defesa à outrance do Estado-providência e na profunda perversidade da “globalização”. Tirando o optimismo antropológico, “filosoficamente” (se a palavra se aplica) nada a distingue da direita. Só o amor ao Estado-providência (e, mesmo assim, mais bem “gerido”) e a hostilidade à “globalização”, aliás reaccionária e frívola, a separam ainda da ortodoxia vigente. Removido o marxismo e o mito histórico da revolução francesa (para não falar na russa), a esquerda, em princípio, deixou de existir. Isto evidentemente torna dificílimo classificar Sócrates. Excepto um ou dois funcionários do Governo, ninguém se atreve a dizer que ele é de esquerda. De texto, a maioria “moderada” responde com uma graça ou um sofisma e os “radicais” (PC e arredores do Bloco) dizem taxativamente que não: o homem não passa de um “noeliberal” ou de um “social-liberal”, muito pior do que um PSD. Ao contrário do que se possa julgar, na essência não se trata aqui de política. Na falta de uma teoria e de um programa, a esquerda acabou por se transformar num sentimento. Um sentimento que a figura reservada e autoritária de Sócrates não inspira e que ele próprio com certeza não partilha. O PS gostava de Soares, pela pessoa. Até não desgostava de Guterres, pela acessibilidade, a fraqueza e a parlapatice. E gosta hoje de Alegre pela pose e a retórica. Mas não gosta de Sócrates. Sócrates não pertence à família. Nem à do PS, nem à da “esquerda”. Blair, por exemplo, conseguiu substituir o vácuo ideológico do “novo trabalhismo” por um permanente melodrama. Não havia destino. Em compensação, havia emoções. Mas Sócrates não se dá bem com emoções. Não as parece ter, nem as sabe provocar e usar. Quando sai da sua geral reticência, acusa, critica e ameaça. Repele, não atrai. A esquerda e o PS precisavam de uma justificação e uma desculpa para o trabalho “sujo” de reduzir o défice, que ia claramente contra a sua natureza. Sócrates não compreendeu esta evidência. Para ele, a necessidade chegava. Para a esquerda e o PS, não chega. Sem a convicção, ou ilusão, da sua intrínseca virtude e do seu combate contra o mal do mundo não conseguem viver. Consigo ou, a prazo, com Sócrates.
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Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Photo: Shirin Neshat (II)

"I am its secret", 1993
Rodrigo Adão da Fonseca [na sequência deste post]

15 Novembro 2006

Blue Print: Martin Walde

"Chanel #2", 2006
Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Lounge recomenda

"Realismo e incoerências", por Tiago Mendes, no Diário Económico. Rodrigo Adão da Fonseca

Amadeo Souza-Cardoso

Ao ler este texto da Joana Amaral Dias fui assolado com algumas dúvidas quase existenciais: Amadeo Souza-Cardoso foi subsidiado? E Vieira da Silva, Júlio Pomar e José Guimarães? E que artistas vivos nos deram a sua arte por terem recebido subsídios? Será que o subsídio não mata o génio? Mais acima, nos Bichos Carpinteiros, JAD chama, e bem, a atenção para a primária perseguição que está a ser feita aos chineses em Portugal. Se faz pouco sentido a desconfiança que se mantém em relação a este povo, portador de uma cultura rica e milenar, ela é incompreensível no Norte do país, zona em que resido, onde esta comunidade está instalada e bem integrada há várias décadas, sem nunca ter sido foco de qualquer problema relevante. Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Painting: Yayoi Kusama

Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Painting: Roberto Chichorro

Rodrigo Adão da Fonseca

Veu islâmico e multiculturalismo

Shirin Neshat, "Fervor (Crowd from front, Couple looking at each other)", 2000
O uso do véu está, quer queiramos, quer não, associado à marca da menorização do papel das mulheres nas sociedades islâmicas. Uma das falácias mais visíveis do pensamento pós-moderno reside na aceitação "horizontal" de todas as expressões culturais, como se tivessem o mesmo valor. As sociedades ocidentais têm um grau de evolução naquilo que são a defesa das liberdades e a consagração dos direitos cívicos que não existe no resto do planeta. Devemos sentir orgulho, pois muitos morreram e se sacrificaram para que possamos hoje viver num grau avançado de desenvolvimento civilizacional. Tudo o resto são incongruências de um pensamento multiculturalista, que viola a liberdade individual entoando a tolerância, que diminui a mulher alegando que a protege e defende. Rodrigo Adão da Fonseca

13 Novembro 2006

Uma visão despreocupada e equidistante sobre as eleições americanas

Os eleitores americanos, a semana passada, concederam ao Partido Democrata a maioria no Congresso. A Casa Branca vai, assim, ter de dialogar, nos próximos dois anos, com duas Câmaras maioritariamente democratas. Para além das especificidades locais - estas eleições servem para sufragar, não apenas a esfera nacional, mas muitas questões que dizem respeito apenas a cada um dos Estados - terão sido quatro as razões que determinaram o resultado eleitoral. Desde logo, o Iraque. Mas não só. O conflito com a comunidade hispânica, as questões ambientais e, sobretudo, os escândalos políticos que rodearam alguns republicanos - seja de índole sexual, sejam casos de simples corrupção - assumiram-se também como hot issues durante a campanha. Na verdade, os democratas há muito procuravam vingar-se dos Republicanos e da postura moralista com que se posicionaram no escândalo Clinton; o assédio sexual a menores praticado por um reputado congressista, Mark Foley, foi um repasto, explorado até ao limite; no Iraque, e ao contrário do que é a convicção de boa parte dos europeus, Bush é censurado, não propriamente pela intervenção, mas pelo facto de não ter conseguido uma vitória rápida; os americanos estão danados, sim, mas porque se encontram num atoleiro de onde não conseguem sair, pelo desprestígio internacional que o arrastar da operação começa a causar, e pelos custos acumulados para o erário público, sem grande retorno associado. Poucos são os que, pura e simplesmente, estão contra a guerra. A errática ideia de construir um muro na fronteira com o México, decisão tomada na sequência de um significativo protesto hispânico de grandes dimensões em reacção às restrições que se pretendem impor à imigração, terá tido também custos políticos, uma vez que este eleitorado, apesar de dividido, em geral apoia maioritariamente os Republicanos. A incapacidade demonstrada aquando do Katrina - num país fortemente exposto a catástrofes naturais - e o avanço de um ecologismo político associado aos democratas favoreceu-os, embora esta inteligente jogada tenda sobretudo a dar frutos a médio prazo. Bush, ao contrário do seu pai, demonstrou ser um mau governante. A governação não é, certamente, o seu forte. Por isso poucos europeus compreendem como conseguiu ser eleito, por duas vezes. Desvaloriza-se algo que, em democracia, vale ouro. Bush é um excelente comunicador, tem uma enorme capacidade de tocar as massas. Bush é um texano formado em Yale, um animal político que se movimenta sem dificuldade nos mais distintos habitats, desde os salões até ao mais popular rodeo. Al Gore ou Kerry, os seus adversários políticos, fazem parte de uma América elitista, a quem sempre faltou a capacidade de lidar com a América profunda, ou com as minorias de base popular. Ao contrário de Clinton. Vai ser curioso assistir, nos próximos dois anos, à inflexão política de Bush, que já é, aliás, visível. O contexto político conduziu o jogo para tabuleiros onde este sempre foi poderoso. Bush não é feliz nas grandes decisões, mas particularmente bem sucedido na arte de gerir consensos pontuais. Rapidamente, despiu a farda, assumindo uma postura diplomática e conciliadora; está já a seduzir uma significativa ala do Partido Democrata, ávida por rentabilizar o ascendente que o novo quadro do Congresso lhe concede. Enquanto trabalha nos bastidores da capital, Bush vai procurar legitimar-se junto dos cidadãos, utilizando o trunfo mediático que sempre lhe foi favorável. Ao mesmo tempo, os Democratas vão procurar empurrar os republicanos para as cordas. Para isso, terão de convencer os seus representantes no Congresso a adiar por dois anos as suas agendas pessoais, inviabilizando a governação Bush. Terão, ainda, que apresentar-se como alternativa válida para ocupar a Casa Branca, quer escolhendo nas primárias candidatos credíveis, sem áurea snob e com alguma dose de populismo; quer apresentando soluções viáveis para os assuntos da governação que mais preocupam os americanos: Iraque; Luta contra o Terrorismo; Imigração; Ambiente; Corrupção. Avizinham-se tempos muito interessantes. Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Art: Graça Morais (II)

No Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, até 14 de Janeiro. Imperdível. Rodrigo Adão da Fonseca

11 Novembro 2006

Blue Lounge recomenda

"Iraki Films", no 5dias. Não propriamente pelo conteúdo, mas pela forma. É a primeira vez que vejo um blogue político recorrer ao som e à imagem em produção própria, neste caso, a difundir uma entrevista. Uma produção totalmente independente, sem mediação jornalística. Muito interessante mesmo. Parabéns à JAD e ao Edgar Pêra pela ideia. Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Lounge recomenda

No Abrupto, "A diferença entre um quiosque e a blogosfera", uma excelente resposta de JPP a MST e EPC, publicado inicialmente ontem no Jornal Público. A seguir com atenção na próxima quinta-feira. Que até pode ser lido em conjunto com o post que escrevi, aqui no Blue Lounge, sobre o mesmo tema. Rodrigo Adão da Fonseca

10 Novembro 2006

Sabedoria Popular

Diz o povo, "um burro carregado de livros é um doutor". Na RTP-N Teixeira Lopes afirma, sem pestanejar, que a banca emite obrigações isentas na Madeira, privilégio que, segundo este grande "especialista" no que for preciso, não existe em nenhum país civilizado. Já que sabe tanto, gostava que TL me indicasse que bancos ainda emitem obrigações na Madeira; e que andam a colocar, no mercado global, obrigações para funding sujeitas a retenção na fonte; com essa informação, ficamos os dois ricos, a dar-lhes uns conselhos; e prometo a TL 50% dos lucros obscenos que ambos podemos obter (e ainda uns patrocínios ao Rivoli). Infelizmente, TL fala inspirado na maior ignorância. Os bancos, no mundo civilizado - não sei o que se passa na Birmânia ou na Coreia do Norte - têm a possibilidade de emitir obrigações para funding isentas de retenção na fonte dos juros. Por uma razão: substancialmente, só devem gerar rendimento tributável na jurisdição onde está domiciliado o beneficiário do juro ou, no caso do emitente, pelo proveito que resulte da aplicação do capital obtido nesse funding. Desafio quem quiser a discutir esta matéria, e a provar-me o contrário. Numa coisa concordo com o político-acorrentado-no-rivoli-que-sabe-de-fiscal-e-é-especialista-em-pobreza-e-em-tudo-o-que-for-preciso-porque-a-resposta-é-sempre-a-mesma-não-sendo-necessário-sequer-pensar-no-assunto-e-conhecer-a-realidade. Passam-se, de facto, em Portugal, coisas que não ocorrem em mais nenhum país desenvolvido. Uma delas é que se dá palco e microfone a pessoas sem a menor qualificação, permitindo-se que se digam as maiores alarvidades com um ar de quem domina toda a ciência. Rodrigo Adão da Fonseca PS: Sei bem que o recurso à sabedoria popular e denúncia da ignorância não fazem parte do estilo habitual do Blue Lounge. Agora, se Teixeira Lopes está à vontade para insinuar que José Lello teve um jantar "bem regado", então julgo que ele compreenderá bem este meu acesso de sinceridade.

09 Novembro 2006

Se não subsidias és inculto, não vives com arte

Escreve a JAD no Bichos Carpinteiros:
"One can exist without art, but one cannot live without it"- novo aforismo de Oscar Wilde, descoberto nos EUA - no Guardian de ontem.
Deduzo então que o amor à arte e a cultura se medem, não pelos hábitos de leitura, pela capacidade de apreciar e apreender a pintura, a escultura, a fotografia, o cinema ou o teatro. Para ser culto, viver com arte, é preciso ser mãos largas e pouco criterioso com o dinheirito dos contribuintes. Seria interessante assitir a um debate entre Fernando Gomes, Nuno Cardoso e Rui Rio e medir o grau de evolução cultural de cada um. Podia participar também o rapazito do BE, o Teixeira Lopes, como special guest. A JAD e outros seriam capazes de ter uma - desagradável - surpresa. Rodrigo Adão da Fonseca

Portugal em Provérbios

A "actualidade" vista à lupa da "sabedoria popular":
*****
Aos olhos da inveja todo o sucesso é crime
Bem mal ceia quem come de mão alheia
Cada cabeça cada sentença
Cada um por si e Deus por todos
Casa onde não há pão, todos berram e ninguém tem razão
Casa roubada, trancas à porta
Com um olho no burro e o outro no cigano
Em terra de cegos quem tem um olho é rei
Nem tudo o que reluz é ouro
O pior cego é o que não quer ver
Quem com porcos se mistura farelos come
Quem não chora não mama
Quem não tem cão, caça como gato
Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não tem arte
Quem tem padrinho não morre pagão
Quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita
São mais as vozes que as nozes
Se os "ses" fossem feijões, ninguém morria à fome
Um burro carregado de livros é um doutor
Uma mão lava a outra e ambas lavam a cara
*****
E, por fim ...
Deus me dê paciência e um pano para a embrulhar
Rodrigo Adão da Fonseca

Peronismos

Não é dificil que se destaquem os mais populistas, num país sem sociedade civil, dominado pelo medo, pela falta de optimismo, iniciativa, pela incapacidade de reconhecer o mérito, que se move pela intriga e inveja. Que "batem" no povo, mas para o seu "bem". Que sobrevivem, pondo sempre "uns", contra "outros". Portugal poderia ser diferente. Só que, como diria o poeta se fosse vivo, fracas elites fazem fraca a forte gente. Rodrigo Adão da Fonseca

07 Novembro 2006

Notas Soltas sobre Liberalismo e Catolicismo

Para Friedrich A. Hayek, os princípios teóricos da economia de mercado, assim como os elementos básicos do liberalismo económico, não foram concebidos, como geralmente se acredita, pelos calvinistas e protestantes escoceses, sendo que, pelo contrário, são o resultado do esforço doutrinário empreendido pelos dominicanos e jesuítas membros da Escola de Salamanca durante o Século de Ouro espanhol (Hayek, 1988: 288-289). Hayek chegou mesmo ao extremo de citar dois dos nossos escolásticos, Luís de Molina e Juan de Lugo, no seu discurso de aceitação do Prémio Nobel da Economia em 1974 (Hayek, 1976c: 19-20). Este economista austríaco começou a convencer-se da origem católica e espanhola da análise económica austríaca a partir dos anos cinquenta, graças à influência do professor italiano Bruno Leoni. Leoni convenceu Hayek de que as raízes da concepção dinâmica e subjectivista da economia eram de origem continental e de que, portanto, deveriam procurar-se na Europa mediterrânica e na tradição grega, romana e tomista, mais do que na tradição dos filósofos escoceses do século XVIII (Leoni, 1995: 95-112). Além disso, Hayek teve a sorte de, durante esses anos, ter uma das suas melhores alunas, Marjorie Grice-Hutchinson, que se especializara em latim e literatura espanhola, levando a cabo, sob a orientação de Hayek, um trabalho de investigação sobre as contribuições dos escolásticos espanhóis no âmbito da economia, trabalho esse que, com o tempo, se converteu num pequeno clássico (Grice-Hutchinson, 1952, 1982 e 1995).

Huerta de Soto, "Escola Austriaca - Mercado e Criatividade Empresarial", Edição portuguesa da Espírito das Leis, disponível on-line, aqui, no sítio da Causa Liberal.

No blogue "5 dias", o António Figueira surpreende-se com a constatação do Pedro Arroja no Blasfémias, quando este afirma que "[o] liberalismo é um produto do catolicismo".
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A Igreja Católica, enquanto instituição temporal, tem assumido, ao longo da História, múltiplas facetas e posições, algumas delas reprováveis. Ninguém discute, hoje, o negro papel da Inquisição, ou das omissões no tempo do Nazismo, só para referir as atitudes que são hoje mais censuradas. Mas foi também do Catolicismo que brotou uma boa parte do humanismo e personalismo que inspira o pensamento ocidental, avanços muitas vezes protagonizados em dissonância, até, com o pensamento dominante nas respectivas épocas. Basta recordar o esforço dos jesuítas na luta contra a escravatura.
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O pensamento liberal, como defendi aqui, não é uma corrente doutrinária fechada (como o comunismo, que se construiu a partir da filosofia de Marx); não será uma ideologia, mas uma espécie de escatologia política aberta, uma corrente de pensamento que acomoda várias tendências e abordagens, com uma tradição plurisecular e multicultural; ao contrário do marxismo, o liberalismo não é uma doutrina de paternidade conhecida, sendo antes “filho” e “neto” de vários pensadores, expresso numa conceptualização ampla e até difusa. Por isso, pode dizer-se sem dificuldade que o pensamento liberal presta tributo a John Locke, ao pensamento protestante e racionalista; mas também católico, sem entrar em contradição. É esse aliás, para mim, o sentido fundamental e a valia da afirmação do Pedro Arroja: não ser de ignorar a importância e o valor da contribuição do pensamento produzido em Salamanca e Évora, nos séculos XVI e XVII, num momento cronologicamente anterior à afirmação consistente e coerente das correntes liberais. Esta ideia tem sido fonte, há várias décadas, de algum debate (embora não exista, como em relação a outros aspectos, um consenso fechado).
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Recomenda-se, assim, a quem tenha interesse na matéria, a leitura completa dos capítulos 3.2. ("Os escolásticos do Século de Ouro espanhol como precursores da Escola Austríaca") e 3.3. ("A decadência da tradição escolástica e a influência negativa de Adam Smith") da obra acima citada (Huerta de Soto, "Escola Austriaca - Mercado e Criatividade Empresarial", Edição portuguesa da Espírito das Leis), dos textos do Rui de Albuquerque "Juan de Mariana: um «libertarian» na igreja romana" e "l'affaire mariana", compilados e disponíveis, aqui, no sítio da Causa Liberal e, bem assim (novamente), o livro do André Azevedo Alves, Ordem, Liberdade e Estado, na Parte 1 do capítulo 2.1.

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Ler dá algum trabalho, mas permite evitar que se façam figuras como esta; pois, concordando-se ou não, a tese que defende a existência de uma influência católica (ou, mais ainda, como se lê em Hayek, de uma origem continental do liberalismo), tem o seu espaço no debate académico, não sendo sequer um tópico recente (faz-se notar que Hayek não seria, tanto quanto se sabe, nem católico nem sequer crente); estranha-se, por isso, que o António Figueira a considere risível, ao ponto de considerar Pedro Arroja, por esta simples frase, "um comediante à solta", que, pelos vistos, "os faz rir a todos" (imagino que, na retórica proto-socialista, "todos" signifique, "os meus").

Rodrigo Adão da Fonseca

06 Novembro 2006

Literacia e Liberalismo

No momento em que a Wikipedia se torna cada vez mais uma fonte para os trabalhos escolares, e para a citação em linha de curto fôlego, ela revela de forma muito interessante todos os problemas das novas literacias que são necessárias para trabalhar na Rede. Literacias ligadas à pesquisa e recolha de informação deveriam fazer parte de qualquer aprendizagem escolar desde o básico. Ler, escrever, contar, ver televisão e pesquisar em linha, são as literacias básicas do dia a dia de hoje. Todas, e todas ao mesmo tempo.

JPP, Abrupto, "LER, ESCREVER, CONTAR, VER TELEVISÃO E PESQUISAR EM LINHA - VOLTANDO À WIKIPEDIA".

Dispor de cidadãos com capacidade crítica - aquela que é necessária para "trabalhar" a informação, aferir o que ela representa, avaliar se é ou não verdadeira, para a enquadrar naquilo que são os valores próprios de cada um - é um dos maiores desafios das democracias que se querem avançadas. O que JPP diz - e bem - em relação à Wikipedia, aplica-se às mais distintas realidades sociais, em constante e rápida mutação; hoje, o ritmo de produção de informação é impressionante, cada indivíduo-cidadão é chamado diariamente a decidir, no seu consumo, na celebração de empréstimos, na educação dos filhos, na tomada de posições cívicas, no exercício do direito de voto. Ora, o grau de literacia representa, também, o nível de autonomia pessoal, a capacidade que cada indivíduo tem de se gerir a si próprio. A iliteracia congénita que se constata existir na sociedade portuguesa é visível no consumo desregrado e sem critério, muito mais reactivo e impulsivo do que desejado e planeado, nos fracos índices de leitura, na dificuldade de expressão escrita e oral, nos entusiasmos vãos seguidos de longas agonias e depressões sociais, na desconfiança e inveja, na falta de iniciativa, na incapacidade de exercer direitos cívicos e tutelar os poderes públicos. E conduz ao "trading" existente entre Estado e cidadãos, onde estes prescindem das suas liberdades, em troca do assistencialismo e paternalismo estatais. A maior parte dos socialismos desenvolve(ra)m-se em ambientes onde se impõe (impunha) a iliteracia, o medo e a restrição no acesso à informação. Quando as classes médias se aproximam das superiores, às quais aspiram ascender, privilegiam-se as soluções liberais, meritocráticas, e a promoção da sociedade civil; quando as classes médias e baixas se diluem, afirmam-se os socialismos, os estatismos, e as redes de captura e redistribuição dos rendimentos. A (efectiva) afirmação da liberdade individual exige níveis de literacia muito superiores aos que existem hoje em Portugal, onde boa parte dos indivíduos não têm as capacidades necessárias para se governarem a si próprios (plenamente). Sem um grau distinto de autonomia pessoal, dificilmente a generalidade dos cidadãos optará por soluções políticas que rompem o elo de dependência estatal e o assistencialismo em que vivem mergulhados, causa de pobreza mas também da sua precária sobrevivência. Rodrigo Adão da Fonseca

O "Muro" Mexicano

Eu sou contra o "Muro" mexicano, sou contra todos os muros. Por mim, deveria haver liberdade de circulação de pessoas ... e mercadorias. O problema não é, contudo, simples: os Estados distorcem as trocas internacionais, e garantem aos seus cidadãos uma multiplicidade de direitos e serviços, precisando assim de restringir o acesso aos seus territórios. Os distintos socialismos entram em contradição, quando censuram os "muros" e exigem o seu fim, ao mesmo tempo que criticam duramente a "globalização" e pretendem assegurar, a todos, uma patamar de acesso irrestrito à educação, saúde, habitação e reformas. No discurso político, pode defender-se uma ideia e a contradição que a anula? Não me parece, embora aconteça (e com algum retorno). Agora, escolham, ou socialismo estatizante, anti-globalização, ou livre circulação. As duas coisas é que não pode ser... Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Faces

Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Media: Christian Hoischen

(...)

[W]hat the status is of the privileges and interests of those who are threatened by the possibility of climate change and of those who are threatened by proposed actions to mitigate it?

(...)

[I]f one takes into account both the market’s potential for adapting to change and market-based policy alternatives, there is no reason for market liberals to be anything but open-minded toward ongoing developments in climate science, whether those developments, as they unfold, reveal indications or counter-indications of global warming.

(...)

A ecologia e o ambientalismo têm assumido uma dimensão política, funcionando negativamente como muletas dos distintos socialismos, expressões anti-capitalistas, em vez de se cingirem ao que no fundo representam, a salvaguarda dos recursos naturais e do planeta. A discussão surge por isso enviesada, muito polarizada, e com alianças tácticas pouco claras.
*
Recomenda-se o artigo de Edwin G. Dolan, "Science, Public Policy, and Global Warming: Rethinking the Market-Liberal Position", no The Cato Journal (Volume 26, Number 3, Fall 2006), onde se reflecte sobre o que poderia ser a leitura de Locke e Hayek perante as alterações climáticas e o aquecimento global. Uma posição liberal equidistante - longe do ambientalismo militante do "amor e uma cabana" e do capitalismo conservador que recusa as evidências até da boa ciência - a única que me parece capaz de encontrar respostas e equilíbrios para o desafio do crescimento económico e da preservação ambiental. Rodrigo Adão da Fonseca

05 Novembro 2006

New Look / New Blogs on the Block

O Corta-Fitas está com um novo e bonito look. Merece destaque. O grupo do ex-Acidental estará também a preparar um regresso à blogosfera para lá da presença na Atlântico (demarcação com a qual concordo e que já aqui, nos comentários, havia recomendado). Cá ficamos à espera! Rodrigo Adão da Fonseca

03 Novembro 2006

Bom fim-de-semana

Amelia Troubridge, "Paris Hilton (Tatler)"
Rodrigo Adão da Fonseca

Portugal sob o signo da austeridade?

Insultem-me, convoquem uma manifestação para a porta da minha casa, agora, não vou deixar de fazer a pergunta: porque se protesta tanto em Portugal?
*
Protesta-se contra o governo? Não me parece: ao fim de quase dois anos de governação, o défice persiste acima dos 3% (4,6%); a dívida pública continua a crescer a um ritmo galopante (embora, curiosamente, ninguém nos media se importe com isso); e as medidas tomadas não são estruturais; este governo quer convencer os cidadãos que meros acertos conjunturais são medidas de fundo. O que não deixa de ser intrigante, pois olhando para as sondagens, fica-se com a ideia que os portugueses acreditam mesmo que Sócrates está a "pôr o país no eixos".
*
Julgo que se protesta, porque sim. Pedimos empréstimos que não conseguimos pagar, vivemos hábitos que não são os nossos, perdemos a lusa humildade para a subsituir rapidamente por um pseudo-cosmopolitismo balofo, veio a factura, protesta-se: todos para a rua! Tivemos durante anos um emprego sem trabalhar, e fomos pensando que nunca ninguém iria notar, em que era promovido por princípio, o ócio pago começa a ser posto em causa, protesta-se: todos para a rua! Estou deprimido(a), julgava que ia ser sempre assim, o meu colega vai para a rua protestar, o Pavlov passou por Portugal: todos para a rua!
*
Aqui o governo é o princípio, o meio e o fim de todas as coisas. Há crescimento económico, porque as exportações aumentaram: o governo surge na primeira linha a receber os "louros" (como se fossem eles os responsáveis pela produção); há uma crise no petróleo, sobem os preços, o governo explica às massas o que se passa. Todos os dias "gramamos" horas e horas de discursos de políticos em acção, a explicar que o país é assim, assado, cozido, grelhado; pergunto-me sempre: estes senhores não têm um país para governar? A resposta, infelizmente, é só uma: não. O que mais me assusta é a dificuldade que um cantinho tão pequeno tem em se organizar. Fazemos um esforço titânico para não termos de viver segundo regras claras e simples. Não: preferimos resistir estoicamente na confusão (e movemos mundos e fundos para evitar a mais simples reforma).
*
Para que o défice se situe nos 3% do PIB, sem receitas extraordinárias ou desorçamentação, o governo vai ter de tomar medidas drásticas, ou de corte da despesa, ou de aumento da receita (ou em ambos os sentidos).
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Se agora os sindicatos e seus apoiantes berram, o que vão fazer nos próximos dois anos? Simular síncopes cardíacas em plena Avenida da Liberdade?
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Portugal: talvez tenha chegado a altura de nos levantarmos do sofá, e começarmos ... a trabalhar. Que tal? Não? Rodrigo Adão da Fonseca

Défice ideológico

Li com interesse a coluna de João Cardoso Rosas no DE "O défice ideológico".
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Eu, um pobre seguidor da Escola Austríaca, que tem dias simpatizo com os Chicago Boys, me confesso: Burke e Nozick, com um pouco de azeite, ainda marcham, agora Sandel, Keynes e Kristol? Já não falo no Walzer e no Habermas (já viram o espectáculo, o Carrilho a discutir Habermas com o Jorge Coelho e o José Sócrates?).
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Nos partidos políticos, é um facto, não se discute verdadeira política, nem ao fim-de-semana nem nos chamados "dias úteis". Já muitos dos que andam aqui pela blogosfera (a tal que Eduardo Prado Coelho e Miguel Sousa Tavares tanto criticam), e que não têm qualquer participação partidária, assistiram no IEP aos seus seminários, Professor Rosas, onde ensina os seus alunos a desvendar estes autores. Bem-haja por isso.
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Só estou arrependido de ter optado, no trabalho final, por Rawls... Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Photo: Erik Lang

"Starry Night", 2005
Rodrigo Adão da Fonseca

Blue Lounge recomenda

Hoje, na revista na Dia D, recomendam-se vivamente 1) “O desconcerto da Europa” do Fernando da Cruz Gabriel; e 2) “O Nanny State” do António Costa Amaral.
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No Abrupto, "O Inverno do nosso descontentamento"; o texto é algo deprimente, mas agrada-me especialmente a ilustração que o acompanha, num registo que gosto de aplicar aqui no Blue Lounge. Associar texto e arte reforça o significado das palavras e das imagens. Rodrigo Adão da Fonseca

02 Novembro 2006

Blue Lounge recomenda: Mas afinal quantos juizes há em Espanha?

O João Miranda chama a atenção, e muito bem, para o fenómeno Gárzon:
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Buscas à sede do BES em Espanha ordenadas pelo juiz Baltasar Gárzon Este homem já esteve contra a ETA, contra o Batasuna, contra os GAL, contra o BBVA, contra o Gil y Gil, contra o Subcomandante Marcos, contra o Pinochet, contra o Kissinger, contra o Berlusconi e contra Guantanamo. Como é que isto é possível? Baltazar Gárzon parece ter um estatuto misto de Juiz-Procurador com liberdade para investigar crimes em toda a Espanha, e pelos vistos em todo o mundo. Um juiz destes é o sonho do justicismo português. O homem providencial com poderes quase ilimitados para perseguir quem entender. Muito melhor que um Souto Moura. Se for honesto, se for íntegro, se for competente, se tiver bom senso. Se não for é o desastre ... João Miranda, Blasfémias
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Rodrigo Adão da Fonseca